sexta-feira, 15 de abril de 2016

Emoções de Acordo com os Textos Clássicos

                                                   
Elisabeth Rochat de la Vallée

Traduzido por Marcelo Nunes
Revisado por
Ephraim Ferreira Medeiros
Projeto


Uma questão básica abre o capítulo 8 do Ling Shu, sendo ele o capítulo de maior referência sobre as patologias induzidas pelas emoções:
«Huangdi perguntava a Qi Bo:
Para cada puntura, o método consiste, antes de tudo, em não falhar quanto ao enraizamento nos Espíritos.
Sangue e circulação vital (circulação do Sangue - Xue Mai ), nutrição e defesa (Ying
Wei ), essências e Espíritos (Espírito Vital - Jing Shen 精神), eis o que os cinco Órgãos Zang entesouram.
Quando a situação chega ao ponto em que, por consequência de transbordamento e de completa invasão, eles se retiram dos Zang, então as essências se perdem e Hun e Po são arrastados numa agitação incontrolável, vontade e propósito tornam-se confusos e desordenados, savoir-faire (saber fazer, habilidade, talento, a boa conduta da vida para manter a presença dos Espíritos e a abundância das essências) e reflexão nos abandonam.
De onde vem isso? Deve-se incriminar o Céu? É culpa do homem?»
O capítulo segue com uma apresentação sobre o Espírito, as Almas e a Mente e também aborda a dinâmica da Mente em um ser humano. No centro dessa apresentação encontra-se o Coração/Mente (Xin), que permite a uma pessoa «assumir o comando da existência». Em seguida, o capítulo prossegue com uma exposição das doenças causadas pelas emoções exacerbadas e como essas doenças levam a uma morte prematura.
Como o ser humano é diferente dos outros dez mil seres?
Céu e Terra se entrelaçam de modo único para produzir um ser humano:
«O homem é (o produto da) a força vital (De ), do Céu e da Terra, (por) a mistura de yin e yang, a união dos Espíritos da Terra e do Céu (Gui Shen ) e o melhor dos Cinco Elementos (fases).» (Li, Liyun)
Os seres humanos, produzidos a partir da vitalidade mais sutil, são abastecidos com seu próprio Espírito Vital:
«O Qi grosseiro faz insetos, o Qi sutil (Jing Qi 精氣) faz os seres humanos.  Portanto, o
Espírito Vital (Jing Shen 精神) pertence ao Céu e a estrutura óssea pertence à Terra.» (Huainan zi capítulo 7, Jingshen, Monkey Press)
Uma maneira de expressar esse entrelaçamento entre Qi do Céu e Qi da Terra no ser humano reside na observação de sua animação, governada por dois tipos de almas: as almas celestiais espirituais, chamadas Hun, e as almas terrenas e corpóreas chamadas Po.
Falar em alma corpórea é como um paradoxo na nossa cultura e idioma; na China tradicional, essa é a realidade da vida humana, onde a carne, o corpo torna-se permeado pela Mente, o Espírito. Inversamente, a Mente, o Espírito é afetado pelo que acontece no corpo.
Assim, um ser humano nunca pode se comportar como um animal, seguindo apenas sua tendência natural, seu instinto. Tudo o que ele faz é sempre resultado da interação entre corpo e espírito. O lugar ou a função que melhor expressa esses processos é o Coração humano, que participa dos dois aspectos da vida: o celeste com as habilidades mentais, o Espírito, e o terrestre com a forma física, a carne e o sangue. Esses dois aspectos nunca podem ser separados. O Coração humano representa o entrelaçamento do Céu e da Terra.
O Coração é sempre uma massa física, um órgão corporal e uma função fisiológica; é também o sentimento, a capacidade de experimentar desejos e emoções e de controlálos; é também a Mente, a capacidade de conhecer e de pensar, avaliar e decidir, capaz de compreender os padrões subjacentes que são os princípios organizadores de toda e de cada forma de vida, sendo capaz de perceber e penetrar no significado profundo do que existe a fim de conduzir e nutrir a vida de acordo com esses princípios.
Graças ao fluxo do sangue, que mantém constantemente uma relação com o Coração e suas batidas, o que está na Mente e o estado do Coração circulam e preenchem todos os espaços do corpo físico. Então, em última análise, é o Coração/Mente que decide o movimento do Qi e as reações do corpo. Nesse contexto, um ser humano, para cumprir seu destino, deve cultivar seu Coração para construir seu Espírito Vital, tornando-se como um espírito em sua realidade interior
«Por natureza (Xing ), o humano possui sangue e Qi (Xue Qi ) e um Coração que permite o conhecimento (Xin Zhi ). Tristeza ou alegria, euforia ou raiva não existem permanentemente no interior. Elas são reações à incitação dos objetos. Então, a prática da Arte do Coração (Xin Shu ). » (Liji, Yueji)
Por natureza, um ser humano tem a inteligência para entender o funcionamento do Coração/Mente e se comportar seguindo a ordem natural, diminuindo desejos e paixões que perturbam os movimentos harmônicos do seu Qi.
Uma emoção sempre se refere ao estado físico e ao aspecto espiritual da vida. O sentimento de uma emoção não existe sem uma sensação física; o movimento do Qi relacionado a uma emoção funciona tanto na Mente como no corpo.
Uma emoção intensifica um movimento do Qi de mesma natureza, causando perturbações na dinâmica vital. Nos clássicos médicos, esses movimentos do Qi são classificados de acordo com cinco elementos, que são os cinco aspectos do dinamismo vital do Qi.
Assim, a pergunta do Ling Shu 8 é: qual seria a real natureza do homem? Ser preso ao transbordamento das paixões sem ser capaz de evitá-lo? Ou usar seu dom natural para iluminar sua Mente e evoluir em direção a uma vida mais equilibrada?
Muitos textos afirmam que o que distingue os seres humanos das outras criaturas é o seu discernimento:
Fogo e água possuem sopro vital (Qi ), mas não têm vida. Plantas e árvores possuem vida, mas não têm consciência. Pássaros e animais têm consciência (Zhi ), mas não têm um senso de moralidade e justiça (Yi ). Seres humanos possuem sopro vital, vida e consciência, e adicionam a eles um senso de moralidade e justiça. Por essa razão eles são os seres mais nobres do mundo. (Xunzi ch.9, Transl. John Knobloch, C.U.P.)
A principal característica de um ser humano é a capacidade de seu Coração/Mente de conhecer e discernir para compreender os princípios da vida e identificar seus padrões subjacentes para guiar sua vida. Parte do problema é que, quando uma emoção perturba determinado movimento do Qi, ela perturba todo o funcionamento do órgão responsável por aquele Qi, criando desordem na fisiologia e doenças no corpo. Isso também gera desordem na dinâmica da Mente, uma vez que, para funcionar bem, a Mente precisa do melhor equilíbrio possível entre os cinco Órgãos Zang, os cinco elementos e os cinco espíritos.
Ninguém é alheio aos desejos e emoções. Gostos e desgostos, naturalmente, existem em um ser humano; mas se ele não educar-se, esses gostos e desgostos - que contribuem para alimentar sua vida quando moderados e apropriados - vão prejudicá-lo. É natural e bom que um indivíduo tenha desejo de comer; é prejudicial comer mal e excessivamente por gula, como nenhum animal vai fazer. Apenas um ser humano pode morrer sob o efeito de uma raiva violenta e incontrolável.
«Quando o Céu deu vida ao homem proporcionou a ele ter apetites e desejos. Certos desejos pertencem à natureza essencial (Qing ) de um ser humano, e aqueles que são essenciais para sua natureza são inerentemente moderados (Jie ). O sábio mantém esses limites em boas condições, fazendo com que os desejos parem no lugar certo; é por isso que quando age ele não transgride os limites de sua natureza essencial (Qing ). Assim, o desejo da orelha para os cinco sons, do olho para as cinco cores, e da boca para os cinco sabores, pertencem à nossa natureza essencial. Em relação a esses três, os desejos do nobre e do ordinário, do sábio e do estúpido,  do digno e do indigno são os mesmos. [...] O que diferencia o sábio é que ele mantém limites para os desejos inerentes à sua natureza essencial. Se as ações de uma pessoa estão fundamentadas na valorização da vida, elas vão satisfazer os desejos de sua natureza essencial. Se essas ações não estão ligadas a isso, vão deixar de fazê-lo. Uma ação fundamentada ou não na valorização da vida é a raiz da vida e da morte, da sobrevivência e da destruição.» (Lushi Chunqiu II, 3, Transl. J.Knoblock & J. Riegel)
Em chinês antigo, o ideograma Qing significa disposições naturais, «natureza essencial», propensões inatas; mas o mesmo ideograma também é usado para emoções e paixões que destroem a ordem natural da vida e impedem a conexão com o dom original. A diferença reside na utilização que um humano faz do que faz dele humano, ou seja, o Coração/Mente. É responsabilidade de cada ser humano canalizar seus desejos e emoções, não para limitar sua vida, mas para tornar-se melhor e mais pleno. Isso não tem nada a ver com a repressão ou supressão.
Talvez o mito mais conhecido da China antiga seja o da história de Yu, o Grande regulador das águas das inundações. As enchentes sempre foram um problema na China. Um homem lendário, com o nome de Kun, foi o primeiro a enfrentar essa dificuldade; ele construiu diques e barragens para evitar o transbordamento do rio, forçando a água a ser contida sob pressão, forçando-a a elevar o seu nível, agindo contra a sua verdadeira natureza, já que, por natureza, a água desce e não sobe. Depois de um tempo, os diques se romperam e as inundações foram mais mortais que nunca. Seu filho, Yu (o Grande) fez o oposto: ele cavou valas para canalizar as águas para o mar, permitindo que a água seguisse sua natureza, que é descer, para alcançar o seu destino, que é chegar ao mar. Portanto, canaliza-se a água para permitir que ela cumpra seu destino, seguindo sua natureza; não para forçá-la. A água que se expande nas inundações perdeu o seu próprio caminho e traz desastres e calamidades por onde passa.
Emoções não controladas são associadas a um transbordamento. São como as águas de uma inundação (conforme o Capítulo 8 do Ling Shu). Se as emoções perturbam a clareza da Mente, que é a singularidade de um ser humano, seu discernimento, é obscurecido, sua Mente fica cega em vez de ser iluminada. Assim, uma pessoa incapaz de controlar suas emoções é incapaz de realizar sua humanidade, para acessar a sua verdadeira natureza.
Saber sobre o perigo das emoções proporcionou o cultivo de vários meios ou métodos para evitar a sua chegada prematura e exagerada. Mantendo a Mente clara o suficiente para estar ciente do surgimento de uma emoção e permitindo que a pessoa a controle.
A arte de nutrir a vida (Yang Sheng ) oferece técnicas para trabalhar sobre o Qi como, por exemplo, exercícios de respiração para acalmar uma emoção. No caso do aumento da raiva ao ponto de perturbar julgamento de alguém, o exercício apropriado irá equilibrar novamente os movimentos internos do Qi. Quando o Qi está bem equilibrado, onde está a raiva?
Tudo que exerce um efeito sobre o Qi precisa ser examinado, a fim de não perturbar a sua regulação.
Isso inclui a sexualidade, comer e beber, atenção para com as estações, etc.
«Os primeiros reis estabeleceram a doutrina dos cinco sabores, então eles produziram a harmonia (he ) das cinco notas para fazer suas mentes uniformes (ping qi xin 平其) para aperfeiçoar seu governo.» (Chunqiu Zuozhuan, Duke Zhao 20, trad. Fung Yulan)
Confucionistas usam Ritos - ou Justeza e Adequeção - para orientar e moderar as emoções; isso também faz parte da educação. Um bom Confucionista examina diariamente seus sentimentos e pensamentos interiores, vigilante para detectar qualquer coisa inapropriada ou mal colocada.
«Quando alegria, raiva, tristeza e felicidade não surgem, isso é chamado equilíbrio (Zhong ). Quando surgem, mas são todos expressos com equilíbrio e moderação (Jie ), é chamado harmonia (He ). »(Zhongyong, transl. G. Richter)
Alguns adentram na fusão com a natureza, mantendo longe de seus interesses tudo o que desperta nos homens emoções e desejos, incluindo o medo da morte ou o apego pela vida. Nutre-se um vazio no Coração para se unir ao Dao.
Todos esses métodos físicos ou mentais tentam disciplinar as emoções, a fim de evitar qualquer equívoco, fruto de um Coração que trabalha cheio de emoções.
Quando o Coração está ocupado com uma emoção, cada pensamento ou concepção, vontade ou intenção irá refletir essa emoção e, então, não mais refletirá a realidade de uma situação, ser, relação, etc.
A imagem frequentemente utilizada nos textos clássicos é a do espelho, espelho de bronze ou espelho da água. Uma mancha no espelho de bronze ou a agitação na água alteram a imagem; a mancha não pertence ao objeto, mas ao espelho; a agitação também pertence apenas à água. Emoções pertencem ao Coração e distorcem o seu trabalho, tornando-o cada vez mais sem sentido.
O que está no Coração está em toda parte, em qualquer percepção, ação e reação.
«É a natureza essencial da orelha que deseja os sons; mas se a Mente (Coração, Xin ) não encontrar prazer (Le ) neles, os ouvidos não ouvirão nem mesmo cinco tons. É a natureza essencial do olho que deseja as cores; mas se a Mente não encontrar prazer nelas, o olho não olhará nem mesmo cinco cores. [...] Os locais do desejo são as orelhas, olhos, nariz ou boca, mas o local do prazer ou desprazer é a Mente (Coração, Xin ). A Mente só encontrará prazer em tais coisas se antes encontrar harmonia e equilíbrio (He Ping 和平).» (Lushi Chunqiu V, 4. Transl. J.Knoblock & J.Riegel)
Somente um Coração/Mente calmo e tranquilo, permite que o Qi flua perfeitamente através de todos os órgãos, fazendo com que os aspectos físicos e psicológicos permaneçam em seu melhor estado; é a perfeita saúde e a mais forte prevenção contra as doenças. Controlar as emoções fortalece a pessoa, evitando a perda de vitalidade relacionada aos movimentos desordenados do Qi. Acalmar as emoções permite retornar a sua verdadeira natureza. Essa é a base para nutrir a vida e viver por um longo tempo.
«Quando Sangue e Qi (Xue Qi 血氣) estão concentrados nos cinco Órgãos (Zang) e não dispersos fora deles, tórax e abdômen estão preenchidos, anseios e desejo diminuem. Quando tórax e abdômen estão devidamente preenchidos, e anseios e desejos diminuíram, os ouvidos e os olhos são claros (Ming ), audição e visão aguçadas (Cong ). Quando audição e visão estão claras, aguçadas, chamamos isso de iluminação (Ming ).
Quando os cinco Órgãos são capazes de se submeterem sem resistência ao Coração, por mais poderoso que seja o nascer da vontade, o comportamento não se desvia. No entanto, com o poderoso nascimento de uma vontade, se o comportamento não se desvia, os Espíritos Vitais (Jing Shen 精神) prosperam e o Qi não se dispersa. Quando os Espíritos Vitais prosperam e o Qi não se dispersa, há perfeita ordem (Li ). Perfeita ordem, promove equilíbrio, e então a livre comunicação, e então os Espíritos (Shen ). Com os Espíritos, ao olhar não há nada que não se veja; ao escutar não há nada que não seja ouvido; ao fazer não há nada que não seja realizado. Assim, problemas e preocupações não podem entrar e o Qi Perverso (Xie Qi 邪氣) não pode atacar.» (Huainanzi capítulo 7, Jingshen, Monkey Press)

Este artigo foi utilizado para a Conferência de Rothenburg em 2013.

Emoções de acordo com o Huangdi Neijing

                                     
Elisabeth Rochat de la Vallée

Traduzido por Marcelo Nunes
Revisado por
Ephraim Ferreira Medeiros

Projeto
www.medicinachinesaclassica.org

Desejos e paixões são considerados pelos pensadores chineses como os principais obstáculo para a verdadeira realização da vida humana e o cumprimento do destino de cada um. Eles são considerados na medicina chinesa como as principais causas de doenças e fraquezas que levam às doenças.
Assim, as emoções devem ser governadas pela força do autocontrole que vem das profundezas da natureza individual: um Coração vazio e silencioso, uma consciência clara, permitem um comportamento perfeito e uma relação autêntica com o Céu. Isso produz movimentos regulares de Qi e boa saúde.
O Coração é a nossa vida intelectual, mental, emocional e espiritual; é tudo o que acontece dentro de nós. Através dele sentimos nossa existência. É a nossa capacidade de pensar para desenvolver conhecimento, atenção, consciência e cultivar nossa realidade interior, a fim de construir nosso Espírito Vital (Jing Shen 精神). O Coração é o que permite ao ser humano assumir a responsabilidade por sua vida e por seu destino, e saber como nutrir a vida de acordo com a ordem natural.
Caso contrário, há desordem, doença e morte prematura. Assim, o Coração é o responsável, em última instância, pela ordem correta ou incorreta dos movimentos do Qi no interior de cada um.
De onde vêm as emoções? Elas são reações que temos quando estamos em contato com algo exterior (um ser, um objeto, um evento, etc.), ou quando recordamos algo na memória.
«Por natureza (Xing ), o homem possui Sangue e Qi (Xue Qi ) e um Coração que permite o conhecimento (Xin Zhi ). Tristeza e alegria, euforia ou raiva não existem permanentemente dentro dele; eles são movimentos reativos ao incitamento dos objetos. É então que a Arte do Coração (Xin Shu ) opera.» (Liji, Yueji)
As emoções são ativadas por um objeto ou evento exterior, e a reação imediata é induzida e modulada de várias formas, como atração ou repulsão, amor ou medo, euforia ou raiva, tristeza ou alegria, arrogância, inveja, etc.
A reação diante de determinada situação dependerá da disposição natural, da natureza própria de cada indivíduo, bem como se a verdadeira natureza do indivíduo está de acordo com sua reação, e, portanto, de acordo com a ordem natural. A natureza da reação expressa se o desejo no Coração está voltado para o desenvolvimento da vida ou em conflito com ele.
Por isso existem variações de significado no ideograma mais comumente usado para emoções (Qing ): disposições naturais, tendências, emoções, paixões.
Se os desejos estão em conformidade com a ordem correta, se as reacções são apropriadas, então o indivíduo governa-se adequadamente (Zhi ) e não há nenhuma desordem (Luan ). Ele está seguindo a ordem correta, seguindo a natureza e sua própria natureza, de acordo com as circunstâncias; ele está cumprindo seu próprio destino (Ming ).[1]
A Arte do Coração (Xin Shu ) assegura as reações apropriadas a partir da diminuição dos desejos que conduzem o indivíduo para "fora de si".
As emoções são percebidas como movimentos do Qi, e cada emoção aumenta excessivamente uma qualidade particular e atividade do Qi em um ser humano. Durante a era clássica, foram analisados todos os movimentos do Qi, caracterizados e classificados através da teoria do Yin/Yang e dos Cinco Elementos (ou fases).
Cada um dos cinco Órgãos (Zang) está, portanto, relacionado com uma emoção que é, fundamentalmente, a expressão do movimento do Qi pertencente ao mesmo Elemento (fase). Vindo das profundezas do Órgão, esse Qi influencia tudo que está sob seu controle no interior de um ser humano, na fisiologia e psicologia, no funcionamento do corpo, bem como no funcionamento da mente.
Como tal, o Fígado fornece uma onda e desencadeia movimentos ascendentes como a Madeira; o movimento do Qi chamado Nu é como uma onda impetuosa, que promove um movimento ascendente. A agitação desse movimento, do Fígado (ou da Madeira), se transforma na raiva, que é apenas o excesso dele. Assim, as Cinco Vontades (Wu Zhi ), que são as profundas propensões e tensões de vitalidade em cada um dos cinco Órgãos Zang, tornam-se as Sete Emoções (Qi Qing 七情), que são um distúrbio no movimento regular do Qi que produz vida.
Portanto, as emoções se originam nos cinco Órgãos Zang, que são os receptáculos dos Espíritos sob diferentes modalidades. Todas as faculdades mentais e equilíbrio psicológico, até mesmo a maneira de reagir a qualquer coisa, inclusive o que mexe com as emoções e libera as paixões, depende inteiramente do estado dos Cinco Zang, unidos por e no Coração. De modo que, quando um Órgão Zang é perturbado, ele não só traz à tona sintomas físicos e psicológicos relacionados com a perturbação específica, mas a pessoa sofre uma alteração na sua faculdade de perceber, conhecer com precisão, julgar sem paixão, sentir e reagir adequadamente.
Se os Cinco Órgãos contam com um Coração livre de paixão e apego, trabalhando sob uma luz espiritual (ou inteligência espiritual, Shen Ming 神明 ) e mantendo essa conduta, não há excesso. O Coração e o Espírito (Shen ) inspiram cada um deles em direção ao seu núcleo. Esses são os Cinco Espíritos (Shen Wu ), a expressão quíntupla dos Espíritos em um ser humano, iluminando o funcionamento da mente.
Quando um Órgão perde o seu enraizamento nos Espíritos, seu Qi não flui corretamente, o que perturba o funcionamento psicológico e fisiológico. O capítulo 39 do Suwen descreve bem essas perturbações:
«Quando há raiva, o Qi sobe.
Quando há euforia, o Qi fica frouxo. Quando há tristeza, o Qi desaparece.
Quando há medo, o Qi desce.
Quando há frio, o Qi é recolhido.
Quando há calor, o Qi flui para fora.
Quando o susto causa sobressalto, o Qi fica desordenado.
Quando há fadiga, o Qi está lesionado.
Quando há pensamento obsessivo, o Qi está atado.»
Cada um dos Cinco Zang é afetado por sua própria emoção, mas uma emoção pode prejudicar vários Órgãos, causando desordem nos seus movimentos do Qi. Portanto, um órgão pode ser ferido por diferentes emoções.
Quando um Órgão está sendo lesado com ou após outro, o distúrbio nos movimentos do Qi muda e, consequentemente, uma emoção pode se transformar em outra. Essa é a complexidade da interação entre os Cinco Movimentos do Qi e o padrão dos Cinco Elementos com todos os efeitos sobre o funcionamento do corpo e da mente.
Todos os níveis do ser se comunicam: uma perturbação emocional terá repercussões fisiológicas (nas áreas governadas pelo Órgão responsável pela emoção, bem como nas áreas governadas por outros Órgãos perturbados pela desarmonia). Por outro lado, um movimento do Qi desviado leva a perturbações fisiológicas, mas também a um estado emocional. Esse estado só pode ser de curta duração, como um reflexo da condição do Qi e do seu movimento durante esse período. Ou pode derivar do rompimento de um Órgão que provoca uma desarmonia mais abragente e, portanto, não é mais capaz de controlar o movimento de seu Qi, já não pode tomar parte na composição harmoniosa do centro, nem no equilíbrio do psiquismo e dos aspectos mentais.
Este artigo foi utilizado para a Conferência de Rothenburg em 2013.




[1] Destino significa vida individual que se desenrola de acordo com a sua origem natural/celestial. Cumprir seu próprio destino é viver em harmonia com o cosmo, para permanecer integrado com a harmonia universal. Agir dessa maneira proporciona a realização mais profunda de seus dons naturais, bem como a saúde mais perfeita possível.

quarta-feira, 16 de março de 2016

O Querer Um e Múltiplo (Partes I e II)

O Querer Um e Múltiplo (Partes I e II)
Elisabeth Rochat de la Vallée

                                                                      
Quando falamos do querer (zhi ) em medicina chinesa, pensamos imediatamente ao dos Cinco espíritos (wu shen  五神) ligado aos Rins, ou seja, à participação dos sopros
da Água na elaboração e no funcionamento da consciência e do mental.
Entretanto, pensamos também dos Cinco quereres (wu zhi 五志) e então nos perguntamos como eles se diferenciam das emoções, se são normais ou patológicos.
Analisando minunciosamente como a noção de zhi , querer, se apresenta nos textos clássicos, atingindo um melhor conhecimento do que ele é em sua base, compreendemos sua utilização nos textos médicos.

A Orientação da Vida

O caractere zhi se compõe do coração sair de quer dizer um jovem broto que sai da terra (ilustrada pela linha inferior _). A partir de uma base sólida, a planta vai crescer e amadurecer, tirando continuamente de suas raízes o necessário para desenvolver tronco e galhos.

Nos textos clássicos de antes da era cristã, o caractere zhi significa a intensão que se desenvolve em si, seu sentimento, sua determinação, seu fim; é aspirar a um ideal, a um desejo, ir em direção de um objetivo, uma ambição. É também perpetuar a memória de alguma coisa, por exemplo através de escritos, das “memórias”, pois a inscrição na duração está implícita na noção: não se pode falar de um querer sem uma certa constância, sem persistência; é preciso reter no espírito uma ideia, um desejo, um pensamento porque advenha um querer que leve à sua manifestação e à sua realização.É essa a definição que o Lingshu cap.8 dá ao querer:
“Que o propósito (yi ) seja permanente, pode-se falar de
querer. ”

Tomemos zhi como o querer, a determinação que possuímos no coração, o que faz agir e agir em uma certa direção, em vista de um objetivo. Se trata de visar um objetivo, de se fixar solidamente em um ponto visado, de dispor inteiramente tendo em vista o objetivo visado, de aspirar profundamente e sinceramente, de todo o seu ser, alguma coisa.

A Relação com a Origem

Em direção do que tende inicialmente e antes de tudo, senão é, como o jovem broto, para o desenvolvimento de sua vida. O querer – viver é natural, primeiro e definitivo.
Ele é também específico.

A primeira impulsão, que permite o início de uma vida e lhe dá suas características, vem do Céu. Ela toma forma na Terra, nas restrições e determinações pelas forças terrestres, por exemplo as das essências misturadas dos pais de um novo ser, que recebe em o dom celeste e o exprime especificamente em função da hereditariedade e das pessoas. É a natureza própria, a natureza primeira que define uma vida particular e a qualifica para um futuro em função das capacidades depositadas nela em sua origem.

Se o que ao qual se aspira faz parte do desenvolvimento natural, o querer coloca sua força ao serviço do desenvolvimento contínuo da vida. Se o que se aspira é contrário à ordem natural tal qual ele se expressa em um ser, o querer torna sua força contra a vida, usando a vitalidade pelas paixões, pervertendo-a pelos desejos inapropriados.

O que quer dizer que se o que se aspira é conforme sua natureza original, o querer nos faz ir em direção de nosso destino próprio nos fazendo participar à harmonia cósmica. Mas se se tratam de ambições pessoais, ele nos desvia em múltiplos desejos que não param de aumentar suas exigências.

A relação à origem é fundamental no querer. Como a tensão que habita uma árvore vem de suas raízes e leva a seiva até o alto e até a extremidade do último galho para permitir seu crescimento normal, o querer, em um ser, é a fonte de seus pensamentos, de seus sentimentos e de suas condutas; ele determina seu futuro, mas deve fazê-lo ficando fiel à sua raiz, sua fonte de vida, a natureza primeira desse ser.

O Querer dos Rins

A associação do querer com a Água dos Rins na medicina leva em conta esse laço na origem assim como à continuidade no desenvolver da vida em função dessa origem.
Os Rins são a relação constante à origem, o Céu anterior; eles são também o fundamento de todas as manifestações yin e yang nos diferentes órgãos, esses dependendo dos Rins para sua força e duração.

Os Rins são a memória da origem, permitindo assim a perpetuidade da vida e a manutenção da identidade, assim como a passagem à posteridade e ao Céu posterior.

Igualmente, a identidade de um rio vem da fonte e lhe dá a orientação de seu trajeto para o mar, mesmo se ele recebe em abundancia (chuva, afluentes) a água que possui.

Daí a importância do ideal que escolhemos, da ideia que deixamos penetrar em nosso espírito, do propósito (yi ) que serve de base ao funcionamento mental e aos estados afetivos, pois o proposito que fica no Coração será o querer, como já dissemos (Lingshu, cap. 8).

Entretanto, no homem, o querer não é simplesmente o querer –viver do instinto animal ou do crescimento de um vegetal; ele deve se combinar com o humano, e o humano deve dominar e ordenar. O que é fundamental e específico no homem, é o discernimento que o faz ver como viver como um homem e não simplesmente como sobreviver; como cumprir seu destino tomando consciência das qualidades depositadas originalmente em si pelo no Céu. O Céu qualifica assim cada ser em vista de um certo desenvolvimento de vida, fixando ao que cada um está destinado (ming ).

O Querer do Céu

Conhecer o querer do Céu, é conhecer seu destino, tomar consciência ao qual o Céu nos destina. Isso é fundamental, particularmente para os confucionistas.
Como Confucius pensava atingir o conhecimento do que seria o querer do Céu? Orientando corretamente seu próprio querer, guiando seu espírito na boa direção:
“Concentre sua vontade (zhi ) sobre a Via, tomando apoio na Virtude, modele suas ações sobre o ren (), et tenha prazer com as artes”. (Lunyu, VII.Trd.A. Cheng).
“ O mestre diz: Com 15 anos, eu decidi (zhi ) aprender. Com 30 anos, eu me reforcei na Via. Com 40 anos, eu não tinha mais nenhuma dúvida. Com 50 anos, eu conhecia os decretos do Céu (tian ming 天命). Com 60 anos, eu tinha um discernimento perfeito. Com 70 anos, eu agia em toda liberdade, sem, portanto, transgredir nenhuma regra”. (Lunyu, II, 4.Trad. A. Cheng p.33).

Assim para conhecer ao que o Céu nos destina, o que é nada além que a vontade do Céu relacionada a mim, é preciso começar através de um ato de vontade pessoal, a determinação de ir em direção do Céu, aqui, para Confucius, através do estudo.

Porque alguns colocam esse ato de vontade e outros não? Alguns pensam que se trata de uma diferença de qualidade nas naturezas próprias; alguns seres sendo feitos de sopros mais ricos que outros (Lunheng cap;4), seus sopros são mais fortes e podem manter da melhor forma suas resoluções. Outros se focam sobre a questão das circunstâncias. Todos os homens possuem a capacidade nata de fixar assim sua vontade, mas todos não possuem essa possibilidade (Xunzi, cap.23) na pratica e nos fatos.

Se o Céu tem uma “vontade “, como ele a possui? Qual ideia temos dela? Seria simplesmente uma maneira de falar da ordem natural ou bem, uma maneira de abordar um tipo de divindade onipresente e onisciente?

Mozi fala do Céu sobretudo como uma potência capaz de ter seus sentimentos e disposições próprias, suas ideias, pensamentos e sua vontade; capaz também de recompensar aqueles que se conformam a seu projeto de vida e de punir os que o contrariam.

Dong Zhongshu segue a direção da ordem natural. Os sentimentos do Céu são o yin yang, e a vontade do Céu se manifesta nos fenômenos naturais: presságios de prosperidade e paz quando tudo está bem regulado ou então de calamidades e sofrimento em caso contrário.
Se o soberano compreende e aplica a vontade do Céu, o povo o segue e tudo fica em ordem na natureza como na sociedade. O soberano compreende e aplica a vontade do Céu, pois ele possui o coração de um sábio, pois cultivou em si mesmo as virtudes que permitem ser um com o Céu, estar em acordo com a ordem natural. Ele retornou à origem das coisas, para conhecer a natureza delas; é no Céu que ele compreende e conhece a origem das coisas e dos seres, dos fenômenos e das manifestações.

Mesmo um cético como Wang Chong, que refuta todo “sentimento “do Céu, reconhece uma “vontade do Céu” (tian ming 天志) que o sábio percebe em seu Coração: “O Coração do Céu reside bem alto no peito do sábio. ” (Lunheng, ch.42)

Para obter p Coração de um sábio, ou para perceber a vontade do Céu em seu Coração, é preciso que esse Coração esteja livre de todo apego e de todo preconceito.

A relação com a realização do que o Céu (ou a ordem natural) nos destina é também fundamental, pois realiza-se seu destino (ming) orientando nosso Coração com firmeza e constância na Via do Céu.

 O Querer do Coração

O Coração humano recebe o Céu. Ele tem, por natureza, a faculdade de conhecer e discernir; ele é o que permite tomar consciência do querer do Céu, de aceita-lo e o seguir; ou então de faltar força para fazê-lo; ou ainda de se deixar seduzir por apetites e prazeres, em aparência mais intensos e mais reais.

“ Como um homem pode conhecer a Via? Pelo Coração Como o Coração pode conhece-la? Pelo vazio a pura intenção que unifica o ser e o acalma. [...]
O homem vive e possui o conhecimento; ele o conhece, e por aí, possui o querer. O querer, é a tesourização (guardar preciosamente e ativamente no íntimo). Mais, entretanto, dizemos que o Coração é vazio; pois o vazio pesa sobre as impressões já tesourizadas, mais sobre o que está para ser recebido. O Coração é vivo (é vida) e ele possui o conhecimento; ele conhece e assim, faz as distinções. ” (Xunzi, cap.21).

O Coração é o mestre de todo o mental, inteligência, memoria e vontade. Ele faz suas escolhas e pode submeter o corpo e seus sentidos à suas escolhas; ninguém nem nada pode fazê-lo mudar, se ele e suficientemente forte. Suas escolhas são feitas à luz da inteligência e a inteligência deve se oferecer à luz dos espíritos (shen ming 神明) para ser inteligência espiritual, inteligência do Coração.

O Coração é igualmente o mestre da vida, o soberano do corpo, da vida mental, afetiva sensorial. Tudo obedece à suas escolhas, recebe suas ordens; mas ele não acolhe outro senão de sua visão próprias. Sua visão depende da luz que está nele mesmo, da presença dos espíritos.

Nada não é sem querer; cada um tem suas convicções, seus desejos, suas orientações, das quais não se cede. O que determina seus pensamentos e seus atos, o que forja sua consciência; o que então guia seus sopros e todas as suas atividades. Tudo o que afeta o querer, afeta também os sopros e toda a vitalidade das quais eles são o suporte.

Que o Coração seja afetado, seu conteúdo e sua expressão se alteram:
“Os sons (sheng ), as cores (se ), os cinco sabores (wu wei 五味), os longínquos países, o precioso e o estranho, o extraordinário e o diferente, os objetos extravagantes são suficientes para mudar o coração (bian xin 變心), a modificar a vontade (yi zhi 易志), a agitar e movimentar os espíritos essenciais (jing shen 精神), a fazer reagir às incitações o sangue e os sopros (xue qi 血氣) inumeráveis vezes. ” (Huainan zi, cap. 8 – Remi Mathieu – Pléiade)

O Vazio do Coração

O Coração deve vigiar o que lhe preenche; ele não deve jamais se deixar tomar ou obstruir por um pensamento, uma ideia, um desejo, um sentimento, uma vontade .... Devemos esvaziar continuadamente seu Coração do que se apega a ele; a ao que, como retorno, ele se apega;
e, finalmente, se impõe à ele como o que o ocupa e o molda e se torna rapidamente a direção na qual ele tende e aspira, o que se quer , o objeto do querer.

É por isso que somente um Coração vazio, impassível, pode preservar o ser na direção de seu desenvolvimento natural.

Também o que se quer, o que se decide do querer, é o Coração. Poderíamos dizer que o querer é a expressão, no Coração, quer dizer, em si mesmo, do movimento dos Rins: o enraizamento na origem, que permite seguir em pé na vida, ser autêntico (zhen ).

Quando abordamos assim o Coração, não nos referimos não nos referimos a seu aspecto como sendo um dos Cinco zang, encarregado dos sopros do fogo, responsável do sangue e de sua corrente no organismo. Falamos do Coração impalpável, da consciência própria, meu espirito, meu mental, minha inteligência, minha reflexão, meus pensamentos, minhas disposições, minhas emoções.... Tudo o que se passa nesse Coração, passa no organismo pela circulação do sangue. O correr do sangue informa todos os lugares do corpo, que se tornam iluminados pela luz espiritual do Coração, na medida onde o Coração é capaz de o acolher e de o difundir.

“ Quando o mestre (o Coração) difunde sua luz (ming ), os inferiores se pacificam; uma tal manutenção da vida (yang shen 養生) leva à longevidade, de geração em geração, e o Império sob o Céu resplandece de uma grande luminosidade.
Mas se o mestre não propaga sua luz, as Doze cargas ficam em perigo; o que provoca fechamento e bloqueio das vias, parada das comunicações; e o corpo fica gravemente atingido. Uma tal forma de manter a vida é catastrófica. ” (Suwen, cap.8)

O Coração que é o grande mestre dos Cinco zang dos Seis fu é mais que um dos Cinco zang; ele é a combinação deles, seu conjunto, sua compenetração, sua unidade. O que é em mim consciência e espirito é o amalgama sempre renovado dos Cinco elementos sob a forma dos Cinco órgãos zang.

Assim, o querer que é ligado aos Rins no nível dos Cinco espíritos (wu shen 五神), é de fato o querer do Coração, que é a união e fusão dos Cinco espíritos para formar meu ser, minha consciência e o que dirige as modulações de minha vida interior. E por isso que é praticamente impossível falar do querer sem falar do proposito (yi ), pois é a associação deles que suscita a qualidade e a força da orientação tomada por um ser. Poderíamos dizer que o querer (zhi ) é a força com a qual nos mantemos na direção que o proposito (yi ) iniciou.

E também praticamente impossível falar de querer sem falar da abertura do Coração aos espíritos, porque é a luz deles que permite o discernimento sobre o que é para ser guardado no espirito, afim de que o espirito se fixe nele e o queira. Associa-se espíritos e querer para formar a expressão shen zhi 神志, que designa o espirito, a consciência, a faculdade de conhecer e de refletir sobre o que se conhece.

Poderíamos nos perguntar se a Vesícula Biliar tem um papel com relação ao querer, ela que é responsável pela retidão e a decisão, ela que é cheia de sopros yang, e então em relação com o yang autentico, o fogo da Porta do destino pessoal (Mingmen).
Um lugar existe, pela natureza mesma dos sopros, entre vesícula Biliar e o querer. Através da coragem e retidão deles, pela relação deles aos Rins e à Mingmen,

Um laço existe, pela natureza mesma desses sopros, entre a Vesícula Biliar e o querer. Pela coragem e retidão deles, pela relação deles com os Rins e Mingmen, esses sopros ajudam o querer no Coração. Mais não é o movimento da Madeira que está no fundamento do querer. É o da agua, que tem mais sabedoria e menos impulsividade, que é o enraizamento na origem e a base permanente de todas as atividades vitais. É também a luz do Coração que permite a justiça da Vesícula
Biliar. 

Parte II


Os Sopros, Sustentação do Querer 

O querer é uma força que se apoia nos sopros. Sem os sopros, o mental não funciona, o espirito não se exprime, o querer fica impotente. 
“ Os sabores (quer dizer a comida wei ) ativam os sopros (qi ); os sopros reforçam o querer (zhi ); o querer fixa a palavra; a palavra dá as ordens”. (Chunqiu zuozhuan,7° ano do duque Zhao).

A mesma coisa encontramos na medicina, pois os sopros e sua boa renovação, permitem o bom funcionamento de todas as instancias psíquicas, mentais e espirituais, tanto quanto eles permitem a força física e a manutenção das substancias do corpo. 
Assim, em Lingshu ch.32, os espíritos (shen ) estão igualmente colocados na dependência da alimentação para a manutenção de suas presenças e força de expressão graças ao bom estado dos Cinco zang:

 ”assim então, os Espíritos (shen ) são as essências –sopros (jing qi 精氣) dos alimentos sólidos e líquidos. ” 

O Querer, Perturbador dos Sopros
 
Mais ainda, querer e sopros devem concordar, no sentido que o querer do Coração e a força vital não agem um contra o outro, quer dizer que os desejos e intenções que emanam do Coração não semeiam a desordem na regulação dos sopros, levando-os assim à dissipação.

O Lüshi Chunqiu descreve assim o mal professor:
“Sua intenção (zhi ) e seus sopros (qi ) não estão em harmonia (he); ele toma uma ideia para deixa-la, mudando continuadamente, sem nenhuma constância em seu Coração. ” (Lüshi Chunqiu, livro 4)

Enquanto que em um ser humano bem equilibrado:
“Os movimentos musculares e os ossos devem estar bem firmes; o Coração (xin ) e o querer (zhi ) devem estar em harmonia (he ), as essências (jing ) e os sopros (qi ) devem circular bem. ”
(Lüshi Chunqiu, livro 20)

Pois o homem bem o suficiente para colocar seu Coração em união com o Céu tem um querer direito e sopros em abundancia:
“ Quando ele é assim em si mesmo puro e luminoso (iluminado, ming ), seus sopros e suas intenções (qi zhi 氣志) são semelhantes aos dos espíritos (shen). ” Então sua vontade e seus sopros(ou sua vontade sustentada e expressa pelos seus sopros, zhi qi 志氣) preenchem o Céu Terra. ” (Liji,ch.Kongzi xianju)

O Querer, Guia dos Sopros

“ O querer é o mestre dos sopros (seu guia, shi ) pois os sopros dão ao corpo sua plena potência (chong ). Desta forma o querer é superior enquanto que os sopros estão em segundo plano.
É porque eu digo: assegure firmemente seu querer e não deixe os sopros se exaltarem. ” (Mencius, ch.2)

A atenção é atraída por alguma coisa, no corpo ou no exterior: uma dor, um calor ou então um belo objeto, uma coisa repugnante...essa atenção, se ela é sustentada, se transforma em um tipo de finalidade, um objetivo. O querer que assim nasce no coração guia os sopros e os faz fluir onde a atenção está fixada. Os movimentos do corpo, os gestos, as atitudes, as reações ...são assim guiadas pelo querer. Eu estendo a mão para o objeto de desejo; eu coloco minhas forças em obra para obter o que aspiro.

O controle de si não é um constrangimento (mesmo se um certo constrangimento pode ser necessário em certos momentos ), mas a posse de si , quer dizer ,consciência da realidade da vida em si e de sua regulação natural .Retemos os sopros desenfreados  da 
cólera ,dominamos os sopros perturbados do medo, mantemos as aspirações e desejos justos e convenientes , temos o gesto justo e seguro ,...para a aquisição progressiva da serenidade ,pela aproximação do estado espiritual , ou, em outros termos, guardando os espíritos em seu Coração.

Le Huainanzi , no final do capitulo 1 ,trata da relação dos espíritos ao querer. Porque os sopros são abundantes, tudo pode funcionar. Porque os espíritos estão presentes no Coração tudo pode funcionar corretamente e em toda parte. Porque os espíritos permitem o vazio do Coração, a atenção não fica retida e pode então estar presente em todo lugar, difusa, mas real. Os espíritos dirigem  o querer sobre o objeto ou o lugar da atenção presente, mas sem mobilizar a atenção exclusivamente sobre aquele objeto, ficando assim disponível ao que possa se apresentar.
O querer guia assim os sopros, os fazendo fluir para um lugar particular quando necessário, mas sem os fazer desertar das outras atividades. A consciência é então presente como latente em todos os lugares nos quais ela não está ativada; nada lhe escapa.

“ Bem, então! O que dá a um homem vista clara e audição fina, para distinguir bem, um organismo resistente e capaz, por cem articulações, de flexão e extensão, o que torna capaz de distinguir o verdadeiro do falso, o que em seguida? Senão que os sopros, sendo abundantes, os Espíritos são capazes de dar o impulso(shi 使).

Como saber se ele está bem assim? O querer (zhi 志 )em cada um tendo um lugar onde ficar; os Espíritos possuem, seus laços (xi ). Andamos, o pé encosta, caímos, a cabeça bate num poste, perdemos consciência; nos fazem sinais que não podemos perceber; chamadas que não podemos escutar. Nem os olhos nem os ouvidos não nos deixaram. Mas então o que é que faz que não podemos responder? É que os Espíritos (shen ) não asseguram mais a custodia (shou ) deles.

Assim, presentes no que é pequeno, eles são ausentes do que é grande; se eles estão no centro, eles são ausentes do exterior; se eles estão no alto, eles são ausentes do baixo; se eles estão à esquerda, são ausentes da direita. Mas se existe abundancia em toda parte, em toda parte eles também estarão presentes. Quem estima o Vazio, da ponta fina de um fio fará sua residência.

O homem tomado pela demência, se  cai em uma vala ou canal, vocês creem que seja por falta de corpo (xing ), de espíritos (shen ), de sopros (qi ) ou de querer (zhi )? Não. É porque ele faz um uso aberrante. Eles deixaram suas posições de guarda (shou ), abandonaram suas casas, as do exterior (wai ) e as do interno (nei ). ” (Huainanzi.ch.1 – Trad.C.Larre & E.Rochat in “Les Grands Traités du Hai nan zi, Le Cerf.

Os textos médicos se preocupam mais particularmente do efeito sobre o movimento dos sopros e da incidência sobre o funcionamento orgânico. Quando os quereres degeneram em desejos, emoções e paixões, a perturbação dos sopros é  própria a cada emoção (Cf Os Movimentos do Coração DDB e As Emoções em Medicina Chinesa, apostilas da EEA).

Eles consideram igualmente como a atenção dada à uma dor, por exemplo, dirige os sopros para o local doloroso.

O Lingshu, capitulo 27 descreve as dores devidas ao frio, que condensam os líquidos corporais que fazem então pressão nas carnes. Depois ele acrescenta:
Quando existe dor, os espíritos se prestam (shen gui 神鬼); os espíritos se prestando, tem aquecimento; e o aquecimento dissipa a dor. ”
O mesmo princípio se encontra nos exercícios corporais, onde guiamos o sopro no corpo, tanto pelo mental que pelos movimentos físicos, e ainda mais nas práticas onde o sopro é guiado interiormente somente pelo mental.

Se os espíritos dirigem a via, a luz deles ilumina a inteligência e a escolha de finalidades, os objetivos, ideias, desejos, querer. Se os sopros são abundantes, eles colocam suas forças ao serviço dos espíritos se exprimindo no ou nos quereres. O corpo guarda esse jogo determinado de espíritos e de sopros o que permite a elaboração de uma vida pessoal.

O vazio (do Coração) dá acesso à uma plenitude verdadeira. Se não queremos nada para si, podemos acolher a plenitude da vida.
É a mesma coisa nas artes marciais .O querer não é nem um desejo de bater o adversário , nem uma atenção limitada aos detalhes para compreender o sentido de um movimento , adivinhar a significação do esboço de um movimento .

O querer é a plenitude dos sopros ao serviço de uma inteligência espiritual .Quando não queremos nada estamos prontos para 
tudo .Mas não querer nada , ser sem desejo , é o culminar de um longo caminho , no qual não se pode engajar nem perseverar sem um firme querer , uma solida determinação.

Os Cinco Quereres

Quando consideramos o querer como a expressão dos Rins no espirito, ele é a orientação vital geral, o que dirige todos os sopros.
Consideremos os sopros dos Cinco elementos, que são o funcionamento dos Cinco órgãos zang, e olhemos seus efeitos no nível emocional. Temos então Cinco direções tomadas naturalmente pelos seus sopros, cinco quereres, que são normais quando eles se harmonizam e patológicos quando o excesso o fazem fatores de desequilíbrio.

Tomemos um exemplo mais em detalhes. Os sopros da Madeira, representados no homem pelo Fígado, têm uma tendência natural a projetar para o alto e para fora, a dar uma forte impulsão às circulações, a limpar os caminhos. Na normalidade, esse movimento encontra seu equilíbrio se harmonizando com os outros quatro. Na patologia, ele se torna muitas vezes excessivo e desequilibra o organismo.

Na vida interior, funcionamento do mental e estado emocional, esse mesmo movimento de sopros é chamado nu , habitualmente traduzido por “cólera”, mas que significa também: ardor, impetuosidade, grande esforço. Nu é uma cólera patológica, mesmo um furor, em caso de excesso; mas é também o impulso necessário à um bom funcionamento mental e afetivo. Sem ele, nada que leva adiante, permite de se projetar no futuro, da coragem de atravessar s obstáculos da vida. Nu é então o querer próprio aos sopros do Fígado-Madeira.

Podemos, de uma forma geral, falar das Sete emoções, usando do valor simbólico do número sete para dizer que as emoções são poderosas, mais que elas são também  um perigo permanente, uma desordem em potencial.

Podemos a partir dos antigos modelos, falar das Seis emoções que são, no homem, análogas aos Seis sopros do Céu na natureza. Essas seis emoções que são então chamadas os Seis quereres (liu zhi 六志) e o homem é convidado a regula-los se inspirando da regulação natural do frio e do calor, do vento e da chuva, do dia e da noite, que são os Seis sopros do Céu.

“No homem, amor e raiva, euforia e cólera, aflição e alegria, são produzidos pelos Seis sopros (liu qi 六氣) (do Céu). É por isso que conhece-los à fundo permite regular convenientemente os Seis quereres (liu zhi 六志), por analogia. ” (Chunqiu zuozhuan,25°ano do duque Zhao).

Podemos falar de Cinco quereres, quando consideramos a organização do sopro vital, na Terra, em Cinco qualidades ou modalidades de operar.

É isso que encontramos no Suwen 5, onde um querer corresponde, na normalidade, à cada zang; mas onde esse querer afeta também esse mesmo zang:
“No Céu, é o vento. Na Terra é a madeira. Nas partes do corpo, são os movimentos musculares. Nos zang, é o Fígado {...}. Nos quereres, é a cólera (nu ). A cólera afeta o Fígado ...”

A mesma coisa para cada um dos outros quatro órgãos. A euforia é associada ao Coração, o pensamento obsessivo ao Baço, tristeza ao Pulmão e o medo aos Rins.

Listas um pouco diferentes desses Cinco quereres podem ser estabelecidas. Variações aparecem não somente na mesma obra, mas às vezes no mesmo capitulo. A significação delas é a mesma: uma orientação particular do movimento dos sopros através cada órgão, em função do elemento que ele representa no ser humano.

O querer, em cada órgão, guia seus sopros; ele guarda a retidão de seus movimentos e de suas atividades; ou ele se incha indevidamente, se desregula, e desorganiza suas atividades.

Quando os Cinco zang podem se colocar na luz do Coração de uma pessoa que se esforça para ser cada vez mais semelhante aos espíritos e fiel à Via do Céu, então seus quereres manifestam sobre os Cinco a força e a justiça do querer.

“ As Cinco vísceras podem se colocar na dependência do Coração e não se distanciar, qualquer que seja a exaltação do querer (zhi ), a conduta não se desvia. Assim, os espíritos vitais (jing shen 精神) abundam e nada não se dissipa dos sopros (qi ). Abundancia de Espíritos, plenitude de sopros, tudo é ordenado, equilibrado, compenetrado: É o Estado espiritual (shen ). ”
 (Huainanzi capitulo 7 -Trad. Claude Larre)

As Variações Sazonais do Querer

O homem autentico não varia na sua determinação; ele continua fixado em seu ideal de virtude e tenta através de todos os meios consegui-lo. Entretanto, ele se adapta infinitamente e indefinidamente à todas as situações, dobrando seu querer às circunstâncias, mudando suas disposições interiores e sua conduta, sem alterar a orientação profunda de sua vida, que é de ser um com a Via do Céu.

“Tais homens têm o espirito voluntario (xin zhi 心志), o rosto pacifico, sereno. Tristes, eles se identificam ao outono, alegres à primavera, seus movimentos de humor (palavra por palavra: euforia e cólera, xi nu 喜怒) se acordam com o círculo das estações (tong si shi 通四時). Eles se encontram em conformidade com as coisas tão bem que nada não pode limitar seus limites. ” 
(Zhuangzi capítulo 6- Trad. Jean Lévi, As Obras de Mestre Tchouang)

Le Suwen 2 apresenta as Quatro estações. Para cada uma ele indica as disposições apropriadas do querer. Assim, na primavera, “exercemos o quere pelo brotar da vida: Fazer viver e não matar, dar, não tirar, recompensar e não punir”, então no outono, “exercemos o querer com paz e tranquilidade, para atenuar o efeito repressivo do outono». No verão, “exercemos o querer, mas sem violência: Auxiliando o raio de beleza e de força, que cumprem assim suas promessas; auxiliando a evacuação dos sopros que gostam então de se exteriorizar “, e no inverno “exercemos o querer como encoberto, escondido, voltado somente para si, como ocupado em se possuir”.

Assim o querer, a tensão interna, varia segundo as estações, os diferentes momentos do tempo, as idades da vida, as etapas de um processo a qualidade do meio ambiente, as especificidades do que com o qual interagimos...
O que deve ser feito, ou seja, a querer, muda com as circunstâncias. A firmeza não é a rigidez. A adaptabilidade permite a eficiência e a economia de forças. O oportunismo, quando ele não é utilização e manipulação dos outros e das circunstâncias para interesse pessoal, é um dever sagrado, um sincronismo que é concordante com o movimento da vida. O que fica constante é a correspondência à realidade da vida.

Pois essas variações não são possíveis que se o enraizamento é solido; como em uma empresa a coesão do conjunto está ligada à um ideal, à um objetivo geral, uma certa finalidade que nos fixamos e que subtende as múltiplas decisões e orientações tomadas no desenrolar da atividade e de seus desenvolvimentos.

Para começar um negócio, é preciso ter uma ideia e um ideal, querer realizar qualquer coisa e em uma certa direção.
No processo de desenvolvimento , vamos criar departamentos , que não devem ser “divisões” , mas setores complementares pelas suas diferenças ;cada um com um objetivo particular , mas que não será correto que se ele responde à exigência do departamento ao mesmo tempo que ele participa à harmonia e à progressão do todo .No nível da direção geral como ao nível dos departamentos , as estratégias mudam segundo as circunstâncias ; mas sem nunca ser contrarias aos objetivos e ideais da empresa tais quais foram compreendidos no início permitindo sua criação.

Cada orientação particular é tomada em função da inspiração geral e inicial; nada não deve ser perdido de vista, sob pena de distorção, de perda do espirito que anima a empresa; essas determinações podem ser de todas ordens e às vezes aprecem como opostas, porque serão comandadas pelas circunstâncias; mas elas não devem quitar o que faz o enraizamento, o que está na fonte é à base do projeto.

Assim, o rio, a partir de sua fonte, não muda nunca seu destino, que é sempre o mar. Entretanto, nenhum rio não é retilíneo; ele chaga ao mar através inúmeros desvios. Mas em nenhum momento a água abandona sua natureza própria, que é de descer, de rolar para baixo. O rio chega então sempre ao mar, que está mais embaixo. Assim foi cumprido seu destino guardando sua direção geral, seu querer, mas se adaptando segundo a natureza e as configurações do terreno, mesmo que tenha tomado às vezes direções que não são as do mar.

As Mudanças do Querer Constante

A adaptação permanente, no respeito de sua natureza original, é obra do pensamento. O pensamento humano se dirige onde um querer ilumina a porta; ele reconhece as situações pelo que elas são e pelo que elas reclamam e encontra como se conformar a elas sem se desnaturar.

O Lingshu 8 define o pensamento como mudanças no querer: “ Que o querer que se mantêm muda estamos falando de pensamento. ”
O querer que muda com as estações e os momentos, com a idade e as circunstancias, se mantêm, contudo, como orientação e direções gerais.

Em um ser, um querer único emerge da origem: no homem, ele passa pelo seu Coração, sua consciência, para ser fixado. Esse querer guia sua vida até o fim e ele deve se orientar na direção do destino de sua vida, que no homem é antes de tudo celeste e espiritual. O querer deve então orientar o ser para as luzes espirituais (shen ming 神明) e para o Céu ou a Via.

Assim os sopros guiados corretamente, pelo Coração de uma maneira geral e unificada, e pelos Cinco zang nos movimentos particulares dos sopros e nos diversos setores da atividade vital.
Firmemente ancorado, o homem sábio pode então mudar indefinidamente. Como o cata-vento. Pode-se dizer que o cata-vento não muda, é o vento que muda. De fato, um ótimo cata – vento não muda jamais por ele mesmo, mas sempre em função do vento. Ele indica a direção do vento porque ele é equilibrado, ele não se vira para nenhuma direção, ele não prefere nenhuma; isso porque ele está solidamente colocado, bem direito e bem flexível.



Tradução: Emilia Firmino

XUNZI ch. 4

Existe um método (shu 術 ) para governar bem os sopros vitais (zhi qi 治氣 ) e nutrir o coração (yang xin 養心 ).  Um temperamento forte e zangad...